Doença de Newcastle: Novo Foco é Confirmado em Coronel Freitas, em Santa Catarina

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um novo foco da doença de Newcastle em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas, no oeste de Santa Catarina. A ocorrência foi identificada dentro da área de restrição sanitária estabelecida após o primeiro caso registrado na região.
A detecção aconteceu durante ações de vigilância intensificada na área de emergência sanitária. As autoridades iniciaram procedimentos de investigação epidemiológica e contenção, seguindo os protocolos previstos para emergências zoossanitárias.
Como o novo estabelecimento está localizado próximo à propriedade onde ocorreu o primeiro foco, foi necessário realizar um ajuste na área de restrição, que permanece sob vigilância.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa entre aves domésticas e silvestres. Causada por determinadas variantes virulentas do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1), pode provocar manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, além de elevada mortalidade, dependendo da cepa viral e das condições do plantel.
A doença representa uma preocupação para a avicultura devido ao seu potencial de disseminação e aos impactos sanitários e econômicos que pode provocar na produção de aves.
Para Daniel Bertuzzi Vilela, a situação exige atenção tanto pelos riscos sanitários quanto pelas possíveis consequências comerciais:

Impactos nas exportações de produtos avícolas
Além dos efeitos sobre a produção e a sanidade dos plantéis, a confirmação de focos da doença de Newcastle pode gerar consequências para o comércio internacional de produtos avícolas.
As restrições comerciais variam conforme os requisitos sanitários de cada país importador e os acordos estabelecidos com o Brasil. Alguns mercados podem suspender temporariamente as importações de produtos avícolas de todo o território nacional, enquanto outros adotam limitações geográficas, restringindo as compras apenas de Santa Catarina ou de áreas específicas.
Essas medidas podem afetar a dinâmica das exportações, exigindo acompanhamento constante das negociações sanitárias e das atualizações divulgadas pelas autoridades brasileiras.
É importante ressaltar que as restrições comerciais não significam, por si só, que todos os produtos avícolas brasileiros estejam comprometidos. As condições de exportação dependem das exigências de cada mercado e das medidas sanitárias aplicáveis.
Quais medidas são adotadas diante de um foco?
A confirmação de um foco de doença de Newcastle desencadeia medidas destinadas a conter a circulação do agente infeccioso e reduzir o risco de disseminação para outras propriedades.
Entre as ações previstas nos protocolos de emergência estão:
Investigação epidemiológica: levantamento de informações sobre a ocorrência, possíveis fontes de infecção e contatos epidemiológicos.
Vigilância sanitária: intensificação do monitoramento na área afetada e nas propriedades sob investigação.
Medidas de contenção: adoção de procedimentos para limitar a propagação do agente infeccioso.
Despovoamento sanitário: retirada das aves da propriedade afetada, conforme os protocolos oficiais aplicáveis.
Controle da área de restrição: delimitação e eventual ajuste das áreas submetidas a medidas específicas de vigilância e controle.
A aplicação dessas medidas é fundamental para proteger os plantéis, reduzir os riscos de disseminação e preservar a sanidade da produção avícola.
Vigilância contínua para proteger a avicultura
A confirmação de um novo foco em Coronel Freitas reforça a importância da vigilância epidemiológica, da resposta rápida e do cumprimento dos protocolos de defesa sanitária animal.
O acompanhamento das ocorrências e das medidas adotadas pelas autoridades é essencial para manter produtores, profissionais do setor e demais envolvidos informados sobre a evolução do cenário.
Além da proteção dos plantéis, o monitoramento sanitário é importante para preservar a confiança nos controles oficiais e contribuir para a manutenção do acesso da avicultura brasileira aos mercados internacionais.
DANIEL BERTUZZI VILELA
Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista no ano de 1998. Sanitarista e Epidemiologista pala Faculdade de Saúde Pública da USP, além de ter atuado como pesquisador no Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Auditor e consultor de normas GFSI. Especialista em consultoria técnico-regulatória para o setor regulado da Vigilância Sanitária e Inspeção de Produtos de Origem Animal. Cofundador e Diretor da Sanity Consultoria & Treinamento.
Leia uma entrevista com Daniel (clique aqui).




Comentários