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5 Perguntas Para Beatriz Calabró, Gerente do Setor Regulatório da Sanity: 'O Regulatório Exige Atualização Constante, Profundidade Técnica e Disciplina'

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    Sanity Consultoria
  • 8 de jul.
  • 8 min de leitura
Beatriz Calabró: "Podemos ter uma estratégia regulatória muito bem construída, procedimentos adequados e toda a documentação necessária, mas são as pessoas que fazem a manutenção diária da operação e, de fato, fazem a mágica do negócio acontecer"
Beatriz Calabró: "Podemos ter uma estratégia regulatória muito bem construída, procedimentos adequados e toda a documentação necessária, mas são as pessoas que fazem a manutenção diária da operação e, de fato, fazem a mágica do negócio acontecer"

Empreender vai muito além de ter uma boa ideia, investir em um produto ou oferecer um serviço de qualidade. Para que um negócio possa evoluir de forma segura e sustentável, é fundamental compreender e atender às exigências regulatórias que envolvem seu segmento. Licenças, registros, documentação e conformidade com a legislação são etapas que, quando bem conduzidas, reduzem riscos, evitam prejuízos e fortalecem a credibilidade da empresa.


Apesar disso, muitos empresários ainda enxergam o regulatório apenas como uma burocracia necessária, quando, na realidade, ele pode ser um importante aliado na gestão do negócio. Uma atuação estratégica permite antecipar problemas, garantir maior eficiência operacional e oferecer mais benefícios para clientes, colaboradores e parceiros.


Para falar sobre esse cenário e compartilhar a experiência de quem acompanha diariamente os desafios das empresas, Beatriz Calabró, gerente do setor de Regulatório da Sanity, respondeu cinco perguntas que podem ajudar a compreender a área.


Na entrevista para o Blog da Sanity, ela aborda os principais desafios enfrentados pelas organizações, explica a importância do planejamento regulatório e apresenta orientações valiosas para empresários que desejam crescer com segurança, eficiência e conformidade com a legislação.


SOBRE A ENTREVISTADA


Beatriz Calabró, 35 anos, construiu ao longo de 18 anos uma trajetória marcada pela capacidade de compreender processos, desenvolver pessoas e transformar desafios complexos em caminhos possíveis.


Nutricionista por formação e especialista nas áreas sanitária, regulatória e de processos, percorreu diferentes realidades do mercado — do campo à indústria, da logística ao varejo, da operação à alta gestão. Uma jornada que lhe permitiu conhecer os negócios por diferentes perspectivas e compreender que grandes resultados exigem mais do que conhecimento técnico: exigem visão, estratégia e capacidade de execução.


Assumiu seu primeiro cargo de liderança aos 24 anos e, desde então, consolidou uma característica que define sua atuação: identificar talentos e problemas com a mesma precisão. A partir daí, conecta competências, direciona protagonistas e transforma complexidade em soluções capazes de gerar resultados.


Curiosa por natureza e inconformada com respostas superficiais, acredita que liderar também significa enxergar além do problema apresentado, questionar limites e atravessar horizontes ainda não explorados. Sua trajetória é sustentada pela convicção de que conhecimento gera segurança, pessoas certas potencializam resultados e nenhum crescimento relevante acontece inteiramente dentro da zona de conforto.


Para Calabró, o sucesso habita uma linha tênue: aquela que separa a curiosidade de descobrir novos caminhos da coragem de viver o desconforto necessário para percorrê-los.


Beatriz Calabró: "O regulatório se transforma em vantagem competitiva quando a empresa compreende todas as particularidades do seu negócio e conduz a regularização de forma estratégica, por etapas e de acordo com a realidade de implantação da operação. Isso permite dimensionar melhor os investimentos e desconstruir a percepção de que regularizar é apenas um processo caro e burocrático"
Beatriz Calabró: "O regulatório se transforma em vantagem competitiva quando a empresa compreende todas as particularidades do seu negócio e conduz a regularização de forma estratégica, por etapas e de acordo com a realidade de implantação da operação. Isso permite dimensionar melhor os investimentos e desconstruir a percepção de que regularizar é apenas um processo caro e burocrático"

LEIA ABAIXO A ENTREVISTA:


PERGUNTA: Beatriz, muitas empresas enxergam o regulatório apenas como uma obrigação legal. Na prática, como ele pode se transformar em uma vantagem competitiva para o negócio?


RESPOSTA: Para empresas que atuam como fornecedoras, estar adequadamente regularizado representa um diferencial significativo, especialmente em processos de homologação e na conquista de novos clientes e mercados.


O regulatório se transforma em vantagem competitiva quando a empresa compreende todas as particularidades do seu negócio e conduz a regularização de forma estratégica, por etapas e de acordo com a realidade de implantação da operação. Isso permite dimensionar melhor os investimentos e desconstruir a percepção de que regularizar é apenas um processo caro e burocrático.


Além disso, quando uma empresa busca certificações, pretende ampliar sua atuação ou competir em mercados internacionais, uma operação bem estruturada e regularizada torna os processos muito mais simples e seguros.


Por isso, a regularização não deve se limitar à obtenção de documentos legais. Ela precisa estar incorporada à prática operacional da empresa. Quando isso acontece, o regulatório deixa de ser apenas uma obrigação e passa a contribuir efetivamente para a eficiência, a credibilidade e o crescimento sustentável do negócio. É essencial.


Não há regularização sem uma operação consistente! Há diversas maneiras de viabilizar. Nossa expertise é tornar essa dureza da lei palatável para quem faz acontecer na ponta, na negociação comercial!

 

P: Ao longo da sua trajetória na Sanity, quais são os erros mais comuns que você encontra nas empresas quando o assunto é regularização sanitária e quais poderiam ser evitados com planejamento?


RESPOSTA: Curiosamente, os erros mais comuns ainda estão relacionados a decisões bastante básicas, mas que têm um impacto enorme no futuro da operação. A escolha inadequada do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), a classificação incorreta da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) e a definição de um local incompatível com a atividade estão, sem dúvida, entre os três principais problemas que encontramos.


Muitas vezes, recebemos clientes extremamente talentosos, inovadores e com grande visão de negócio. O nosso papel, como especialistas, é justamente atuar como guardiões desse projeto: antecipar riscos, identificar o que não está evidente e enxergar nas entrelinhas aquilo que pode comprometer ou limitar o crescimento da operação no futuro.


Quando essas questões são identificadas apenas durante o percurso, as adequações tendem a ser mais lentas, complexas e, principalmente, mais custosas. E estamos falando de impactos que, na maioria das vezes, poderiam ser evitados com planejamento e uma análise regulatória estratégica desde o início.


É justamente por isso que valorizamos tanto uma atuação multidisciplinar. Uma visão global do negócio nos permite identificar riscos sob diferentes perspectivas e agir de forma mais assertiva.


Naturalmente, respeitamos as decisões de cada cliente. Mas, como liderança e como área técnica, nossa responsabilidade é garantir que ele tome decisões conscientes. Isso significa apresentar os riscos com clareza, indicar as possibilidades de mitigação e, principalmente, orientá-lo sobre o momento certo de avançar, adequar ou até mesmo redirecionar uma estratégia.


Para mim, esse é um dos principais papéis do regulatório: não apenas solucionar problemas quando eles aparecem, mas desenvolver a capacidade de antecipá-los e proteger o crescimento do negócio.

 

P: Você lidera uma equipe que acompanha diariamente diferentes segmentos do mercado. Quais mudanças regulatórias mais têm impactado as empresas nos últimos anos e como os empresários podem se preparar?


RESPOSTA: As mudanças regulatórias são sempre desafiadoras. Embora grandes alterações na legislação nem sempre aconteçam em curtos espaços de tempo, quando ocorrem, podem gerar impactos significativos nas empresas. Por outro lado, também podem representar grandes oportunidades, porque trazem segurança jurídica, abrem novos mercados e estabelecem caminhos mais claros para negócios que, anteriormente, operavam em uma zona cinzenta ou ainda não possuíam regulamentação específica.


Na minha experiência liderando uma equipe que acompanha diariamente diferentes segmentos e operações, percebo que, apesar das novas exigências estruturais e documentais, um dos maiores desafios ainda é a mudança de hábito do corpo operacional.


Podemos ter uma estratégia regulatória muito bem construída, procedimentos adequados e toda a documentação necessária, mas são as pessoas que fazem a manutenção diária da operação e, de fato, fazem a mágica do negócio acontecer. São elas que precisam compreender os processos, incorporar as mudanças à rotina e estar preparadas, inclusive, para receber uma fiscalização.


Por isso, acredito que o trabalho regulatório não termina na interpretação da legislação ou na obtenção de uma licença. Ele também envolve preparar pessoas. Dentro da nossa atuação, desenvolvemos capacitações para as equipes dos clientes justamente para aproximar a exigência regulatória da realidade operacional.


Para os empresários, minha principal orientação é não esperar que uma mudança regulatória se torne um problema para começar a agir. O caminho que buscamos construir com nossos clientes passa por antecipar cenários, planejar, implantar as mudanças, avaliar os resultados e, quando necessário, corrigir a rota.


Quando existe planejamento e integração entre liderança, área regulatória e operação, a empresa deixa de apenas reagir às mudanças e passa a estar preparada para transformá-las em oportunidades. E posso dizer, pela experiência de acompanhar esse processo na prática: vale a pena.

 

P: Na sua visão, qual é o papel de uma gerente de Regulatório além da análise técnica? Como você desenvolve uma equipe capaz de entregar segurança, agilidade e confiança aos clientes?


RESPOSTA: Eu diria que minha atuação como gerente de Regulatório está sustentada em três pilares:


O primeiro é trazer segurança ao cliente, especialmente nos momentos de crise. Quando surge um problema regulatório, é natural que exista preocupação e urgência. O papel da liderança é ter serenidade para compreender o cenário, dimensionar os riscos e conduzir as decisões com clareza.


O segundo pilar é entender se aquilo que o cliente está demandando é, de fato, o que resolverá o problema. Nem sempre a questão central está exatamente onde foi apontada. Por isso, acredito que uma boa liderança regulatória não deve olhar apenas para a demanda recebida, mas investigar o contexto, ampliar a análise e identificar a verdadeira origem do problema.


O terceiro é reconhecer os protagonistas de cada expertise dentro da equipe e construir uma estratégia clara de atuação. Isso significa definir responsabilidades, estabelecer uma linha do tempo e garantir que cada profissional tenha espaço para contribuir com aquilo que faz de melhor.


Nós estudamos muito. O Regulatório exige atualização constante, profundidade técnica e disciplina. Mas acredito que o conhecimento, sozinho, não é suficiente para construir uma equipe de alta performance. É preciso desenvolver nas pessoas a capacidade de ir além da demanda inicial, ampliar horizontes e compreender que, muitas vezes, a solução está depois da primeira resposta encontrada.


Talvez esse seja o princípio que mais represente a minha forma de liderar: acreditar que não devemos estabelecer limites prematuros para aquilo que uma equipe é capaz de solucionar. Segurança, agilidade e confiança são construídas quando reunimos conhecimento técnico, as pessoas certas, uma direção clara e a disposição de ir além até encontrarmos o melhor resultado possível.

 

P: Se você pudesse dar apenas um conselho para um empreendedor que está abrindo ou expandindo seu negócio, qual seria a primeira decisão regulatória que ele deveria tomar para evitar problemas futuros?


RESPOSTA: Meu primeiro conselho seria: antes de investir, compreenda regulatoriamente o negócio que você pretende construir.


Parece uma orientação simples, mas muitas decisões importantes são tomadas antes mesmo de uma análise regulatória: a escolha do local, das atividades que serão exercidas, da estrutura necessária, dos produtos que serão comercializados e até dos mercados que a empresa pretende alcançar.


Por isso, acredito que a primeira decisão não seja necessariamente obter uma licença ou iniciar um processo específico, mas construir uma visão global do negócio e entender, desde o início, quais caminhos regulatórios serão necessários para torná-lo viável. Uma análise feita no momento certo permite antecipar riscos, dimensionar investimentos, estabelecer prioridades e criar uma estratégia de regularização por etapas, respeitando a realidade e o momento de cada empresa.


Ao longo da minha trajetória, aprendi que muitos problemas considerados regulatórios começaram, na verdade, com uma decisão de negócio tomada sem que todos os seus impactos fossem previamente avaliados. Por isso, eu diria ao empreendedor: não espere o problema aparecer para procurar o Regulatório. Traga essa visão para a mesa quando as decisões ainda estão sendo construídas.


O Regulatório não deve ser o último a saber para dizer se algo pode ou não ser feito. Ele deve estar presente desde o início para ajudar a encontrar a melhor forma de fazer acontecer.



SANITY CONSULTORIA & TREINAMENTO


Há mais de 25 anos ajudando empresas a crescer com segurança, conformidade e confiança, a Sanity é uma consultoria técnico-regulatória especializada em segurança dos alimentos, licenciamento sanitário, auditorias, treinamentos, responsabilidade técnica e adequação às exigências dos órgãos fiscalizadores.


A empresa atua em todo o Brasil apoiando empresas dos segmentos de varejo alimentício, food service, indústrias, logística, hospitais, clínicas e diversos outros setores que precisam operar em concordância com a legislação vigente.


Com uma equipe multidisciplinar e mais de 190 soluções especializadas, a Sanity transformou e inovou os desafios regulatórios em oportunidades de crescimento sustentável para empresas de todos os portes.


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